O prolongamento da Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP25) mais dois dias para além dos doze inicialmente previstos — terminou apenas este domingo — não foi suficiente para arrancar um acordo digno de ser celebrado, designadamente ao nível da regulação dos mercados de carbono.
“Estou desiludido com os resultados da COP25”, reagiu no Twitter o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. “A comunidade internacional perdeu uma oportunidade importante para mostrar maior ambição em matéria de mitigação, adaptação e financiamento para enfrentar a crise climática. Mas não podemos desistir, e eu não vou desistir.”
O português declarou-se “mais determinado do que nunca a trabalhar para que 2020 seja o ano em que todos os países se comprometam a fazer o que a ciência nos diz que é necessário para se alcançar a neutralidade carbónica em 2050 e um aumento da temperatura não superior a 1.5 graus”.
No mesmo sentido — desiludida mas resiliente —, também Greta Thunberg comentou o resultado da COP25. “Parece que a COP25 em Madrid está a desmoronar-se neste momento. A ciência é clara, mas a ciência está a ser ignorada. O que quer que aconteça nós nunca desistiremos. Só agora começamos.”
Greta discursou na conferência na passada quarta-feira, mas já tinha abandonado a capital espanhola quando começaram a soar as notícias do fracasso. A caminho de casa, a jovem ativista sueca seguia de comboio Europa fora, sem lugar sentado em parte do percurso. Nada que a importunasse: “Não é um problema e eu nunca o disse que era. Comboios sobrelotados é um ótimo sinal, pois significa que a procura por viagens de comboio é alta!”, escreveu no Twitter.
Em declarações à agência Lusa, também o ministro português do Ambiente e da Ação Climática lamentou o resultado final: “Soube a pouco”, disse João Pedro Matos Fernandes. “O pouco que tinha para concluir não concluiu.”
“Desde o primeiro dia que esta COP tinha pouco para discutir. Mas o que é facto é que no pouco que tinha para discutir, ou sobretudo no pouco que tinha para concluir, não concluiu. E nesse aspeto sabe de facto a muito pouco”, disse o ministro português.
Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: MMota@expresso.impresa.pt