Os W11 da Mercedes têm sido, sem surpresa, os grandes dominadores do Mundial de Fórmula 1 de 2020, com o construtor alemão a garantir no último fim de semana, em Imola, o 7.º título consecutivo de marcas, depois da vitória de Lewis Hamilton e do 2.º lugar de Valtteri Bottas.
O feito, inédito, é ainda mais impressionante se pensarmos que faltam ainda quatro corridas para terminar a temporada, num ano em que o calendário foi encolhido devido à pandemia da covid-19.
O W11 será sempre um carro especial e não só pelo desempenho em pista, mas também pela mensagem que a Mercedes quis passar. Em junho, quando finalmente a Fórmula 1 regressou às pistas, a equipa anunciou que iria trocar por uma temporada o seu icónico prateado e vestir-se de negro, no apoio ao movimento Black Lives Matter, que tem em Lewis Hamilton um importante porta-voz.
A mensagem, ao que tudo indica, será para manter no próximo ano. Ao contrário da equipa da Mercedes na Fórmula E, que vai correr de prateado em 2021, na Fórmula 1 vamos voltar a ver um Mercedes negro em pista. É pelo menos essa a intenção, de acordo com Toto Wolff.
“Parece que sim, continuar a correr de negro em 2021”, disse o diretor executivo da equipa em declarações à revista austríaca “Motorprofis” logo após a conquista do título de construtores, em Itália.
“O tema da luta contra o racismo continua a ser muito importante para nós”, reforçou o homem-forte da Mercedes, de 48 anos.
A mudança para o negro não será definitiva. Em 2022, temporada em que a Fórmula 1 vai dar as boas-vindas a um novo regulamento, poderemos voltar a ver o Mercedes prateado em pista.
“É um ano em que vamos ter novas regras e nós queremos mostrar de novo as nossas origens com os flechas prateadas”, frisou Wolff.
Esta terça-feira, numa mensagem no Instagram, Lewis Hamilton lamentou que a luta do movimento Black Lives Matter tenha perdido alguma força, cinco meses depois da morte de George Floyd, que provocou manifestações em todo o mundo e reações de apoio em força em organizações como a NBA ou a própria Fórmula 1.
"Com o passar do ano, posso definitivamente sentir um abrandamento no mediatismo do Black Lives Matter. Mas eu não vou parar de tentar promover mudanças. A consciencialização é onde tudo começa e ver-me-ão a cada fim de semana a representar o movimento", escreveu o em breve sete vezes campeão do Mundo de Fórmula 1.
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