Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, estados da cintura industrial (“rustbelt”), têm os destinos da presidência americana nas mãos. Com o atraso na contagem fruto da quantidade massiva de votos por correio, dois cenários ganham força: repetição de 2016, com nova vitória inesperada de Trump, ou um triunfo à tangente do candidato democrata, Joe Biden.
Às 2h locais (7h em Lisboa), Trump lidera em todos eles - no Wisconsin (51% contra 47%), Michigan ( 53% contra 45%) e Pensilvânia (56% contra 42%). Nos próximos dias, prevê-se uma longa batalha entre ambas as campanhas, cujos advogados estarão a postos para contestar qualquer anomalia.
Ao longo de ontem, terça-feira, especulou-se desde cedo sobre uma derrota de Donald Trump nas presidenciais americanas. Anthony Scaramucci, antigo diretor de comunicações da Administração republicana, indicou ao Expresso, ainda de manhã, que “Biden iria esmagar”. Do lado democrata, Jerry Crawford, diretor de campanha de Hillary Clinton em 2016, concordava. “Será um enorme banho de sangue”.
Conhecidos os primeiros resultados provisórios oriundos da Florida, Georgia e Carolina do Norte, Thomas Patterson, professor em Harvard e antigo conselheiro de três presidentes americanos (George H.Bush, Bill Clinton e Barack Obama), confirmou que aqueles estados do sul, tradicionalmente conservadores, “catapultaram Biden bem alto. Mesmo não vencendo em todos eles, Biden teve muito melhor prestação do que Hillary Clinton”.
Porém, o antigo vice-presidente perderia em todos eles.
Tal como em 2016, o candidato republicano começou a somar votos à medida que as contagens progrediam ao longo da noite. A Florida, por exemplo, teve dos processos mais rápidos e dava sinal de que Trump conquistara um novo grupo de adeptos: os homens hispânicos.
“Teremos de aguardar um pouco mais. Contudo, o que parece cada vez mais claro é que Trump fintou outra vez as sondagens. Mesmo que perca, o que parece cada vez mais difícil, ficará muito longe da hecatombe que se esperava”, afirma ao Expresso Bob Barr, antigo congressista republicano.
Ainda terça-feira, o site “FiveThirtyEight”, especializado em estudos de opinião supostamente infalíveis, dava ao chefe de Estado apenas 10% de hipóteses de conquistar um segundo mandato.
“A posição do Partido Democrata de querer assumir sempre uma superioridade moral, tal como fez Hillary Clinton em 2016, torna a base republicana ainda mais enraivecida. Esta responde em massa nas urnas”, acrescenta Barr. “Além disso, esqueceram-se de que derrotar um presidente que procura a reeleição é extremamente difícil. Aconteceu apenas cinco vezes desde 1900”.
Por agora, desconhece-se quando será revelado o desfecho. “Sabe-se, no entanto, que o presidente Trump quer os resultados o mais depressa possível”, lembra o professor Patterson. “A partir de amanhã começaremos a ter advogados no processo, com contestações e lutas por todo o lado. Mesmo que algumas sejam legítimas, outras ficarão longe disso. Apertemos o cinto e rezemos para que a normalidade democrática não seja perturbada”.
Recorde-se que o Michigan é um dos estados onde a contagem será mais demorada. Por ali, os ânimos permanecem exaltados, com manifestações constantes contra a governadora democrata Gretchen Whitmer, acusada de pôr em causa as liberdades individuais com a sua estratégia agressiva de combate à pandemia.
Há cerca de um mês, o FBI desmantelou uma célula terrorista local, que planeava um golpe de estado, que incluía o rapto de Whitmer, bem como a destruição de esquadras da polícia.