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O que se sabe até ao momento sobre o ataque em Viena

O que se sabe até ao momento sobre o ataque em Viena
Thomas Kronsteiner/Getty Images

É conhecido o número de vítimas mortais, o número de feridos e os seis locais da cidade onde se deram os ataques, mas há questões a que não é possível dar uma resposta tão concreta, pelo menos por enquanto: Quem são os atacantes (e quantos ao certo) e quais são as suas motivações. Confira aqui o que se sabe e o que ainda não se sabe sobre os ataques ocorridos na noite de segunda-feira na capital austríaca

O que se sabe até ao momento sobre o ataque em Viena

Helena Bento

Jornalista

O primeiro ataque em Viena em 35 anos: assim foi descrito o que aconteceu na noite de segunda-feira na capital da Áustria. Um número indeterminado de pessoas abriu fogo em seis locais, incluindo na zona de Seitenstettengasse, onde fica situada a principal sinagoga da cidade. Eis o que sabemos até ao momento:

As vítimas mortais

Comecemos pelo número de vítimas mortais. São cinco, de acordo com o balanço mais recente efetuado pelas autoridades do país: duas mulheres, dois homens, e um dos atacantes, que foi morto pela polícia na segunda-feira à noite no exterior da Igreja de St. Rupert.

As pessoas que ficaram feridas

Também de acordo com as informações mais recentes, foram 17 as pessoas que ficaram feridas durante os vários ataques, incluindo um jovem português — segundo uma nota de condolências publicada no site da Presidência da República —, e um agente da polícia. Umas foram atingidas por tiros, outras foram esfaqueadas. Segundo as autoridades de saúde locais, algumas dessas pessoas encontram-se em estado crítico.

O início dos ataques

Tudo começou às 20h (menos uma hora em Lisboa). Foram ouvidos disparos em diferentes pontos da cidade e os meios de comunicação locais deram conta de um tiroteio em curso. A polícia confirmou a informação no Twitter e pediu às pessoas para evitarem todos os locais públicos da cidade e para não usar transportes públicos.

Os supostos atacantes

Não se sabe ao certo quem são nem quantos são. O agressor que foi morto pela polícia, um jovem de 20 anos com dupla nacionalidade (austríaca e da Macedónia do Norte), já teria sido condenado anteriormente por terrorismo, segundo as autoridades. Foi identificado como Fejzulai Kujtim, seguidor do Daesh. A 25 de abril de 2019, terá sido condenado a uma pena de prisão por tentar viajar para a Síria para se juntar ao grupo terrorista. Acabaria, contudo, por ser colocado em liberdade condicional, em dezembro do ano passado, segundo a agência de notícias Associated Press. Ele e pelo menos mais outro atacante (que está em fuga) dispararam tiros na noite de segunda-feira com armas automáticas e semiautomáticas. Está montada uma caça ao homem.

Onde se deram os ataques?

Foram seis os locais onde se deram os ataques, segundo as autoridades. Estes locais incluem a zona de Seitenstettengasse, onde fica situada a principal sinagoga da cidade, mas outras zonas como Morzinplatz, Salzgries, Fleischmarkt, Bauernmarkt e Graben também foram alvos.

Qual o alvo do ataque?

Também não é claro neste momento. Relatos iniciais apontavam para que o alvo fosse a sinagoga Stadttempel, devido à proximidade dos ataques, mas o líder da comunidade judaica em Viena, Oskar Deutsch, adiantou, ainda na noite de segunda-feira, que o local de culto estaria fechado no momento dos ataques. Ao diário “Kurier” disse mesmo que “não era claro” que a sinagoga fosse o alvo.

Ataques de motivações incertas

O ministro do Interior falou em “ataque terrorista” logo que os incidentes ocorreram, e também o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, descreveu dessa maneira o que aconteceu e sugeriu que poderá ter-se tratado de um ataque antissemita, dado o “local onde começou”.

O que estão a fazer as autoridades?

Em declarações à agência de notícias do país, a APA, o ministro do Interior austríaco, Karl Nehammer, afirmou que as autoridades já realizaram 15 buscas domiciliárias e várias pessoas foram detidas. Mais de 20 mil excertos de vídeos estão a ser analisados, de modo a perceber-se quantas pessoas, ao certo, estiveram envolvidas no tiroteio, diz o britânico “The Guardian”. As escolas da cidade estão encerradas esta terça-feira e foram declarados três dias de luto nacional.

As reações lá fora...

Emmanuel Macron, Presidente francês, foi dos primeiros a reagir. Numa publicação feita no Twitter, afirmou que a Europa "não se deve render". "Nós, os franceses, partilhamos o choque e a dor da população austríaca, afetada por um ataque ocorrido no centro da sua capital, Viena. Depois de França, é a vez de um [país] nosso amigo ser atacado. Esta é a nossa Europa. Os nossos inimigos têm de saber com quem estão a lidar.” Reagiu depois o primeiro-ministro italiano (“não há lugar para o ódio" na Europa), Charles Michel, presidente do Conselho Europeu (a Europa "condena fortemente este ato cobarde") e o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão (“Não podemos ceder ao ódio que tem como objetivo dividir as nossas sociedades"). Depois disso, foram-se sucedendo outras reações: a Rússia e a Turquia ofereceram esta terça-feira a sua solidariedade e Angela Merkel condenou o ataque (o “terrorismo islâmico”, afirmou, “é um inimigo comum).

... e em Portugal

Ainda na segunda-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros condenou o ataque e defendeu que “a liberdade religiosa é um valor fundamental". Já esta terça-feira, foi publicada uma nota no site da Presidência da República, em que Marcelo Rebelo de Sousa diz ter enviado uma mensagem de condolências e repúdio do ataque em Viena ao Presidente da República da Áustria, Alexander Van der Bellen. “Foi com choque e tristeza que tomei conhecimento do ataque que ontem teve lugar no centro de Viena e que provocou a morte de quatro pessoas e diversos feridos, entre estes últimos um jovem português”, lê-se na mensagem. O Presidente da República diz ainda reiterar o seu “repúdio por todos os atos de violência”, reafirmando a sua “convicção de que estes não lograrão alcançar os seus objetivos”.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: hrbento@expresso.impresa.pt

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