Mitch McConnell diz pela primeira vez que revolta no Capitólio foi provocada por Trump (“e por outras pessoas poderosas”)
Mitch McConnell
Chip Somodevilla/Getty Images
Demorou bastante até descolar de Donald Trump, mas Mitch McConnell, um dos mais importantes republicanos do Congresso, não tem poupado nas duras críticas ao ainda Presidente, a quem muitos culpam pela violência que tomou conta do Capitólio no dia 6 de janeiro, onde morreram cinco pessoas. Resta saber se a sua influência no partido pode levar os republicanos a apoiarem o impeachment
Mitch McConnell vai deixar esta quarta-feira à tarde de ser líder da maioria republicana do Senado porque o Senado vai passar a estar dividido entre republicanos e democratas e a maioria, com o voto de desempate da vice-Presidente, Kamala Harris, será destes últimos, mas não deixará de ser uma das vozes com mais eco em todo o Partido Republicano.
Esta terça-feira, enquanto os preparativos para a tomada de posse do Presidente eleito Joe Biden (e de Harris) seguiam rápidos e rigorosos, McConnell veio esclarecer qual a sua opinião sobre a invasão do Capitólio no passado dia 6 de janeiro. E não deixou espaço para leitura nas entrelinhas: “A multidão foi alimentada por mentiras. Foram provocados pelo Presidente e por outras pessoas em cargos de muito poder”, disse no Senado, que esta terça-feira retomou os trabalhos.
Estas palavras foram proferidas no mesmo espaço que foi invadido dia 6, cenas de tal forma violentas que conseguiram finalmente provocar um desalinhamento de muitos republicanos até então bastante leais a Trump.
Até ao dia da invasão, Mitch McConnell nunca se afastou totalmente do ainda Presidente, demorou até muito tempo, e isto tendo em conta a importância do seu cargo, a admitir que o vencedor das presidenciais de 3 de novembro foi mesmo Joe Biden, sem fraude associada. De qualquer forma, esta sua posição de força mostra que pode haver vários republicanos a ponderar votar a favor da destituição de Donald Trump, isto apesar de o julgamento ter forçosamente de acontecer já depois do fim do seu mandato (e de nem todos os especialistas estarem de acordo quanto à viabilidade constitucional deste julgamento).
Apoiantes de Donald Trump perto do Capitólio, em Washington, a 6 de janeiro de 2021
McConnell rejeitou a pressão dos democratas para apressar o julgamento de Trump, mas disse, numa mensagem enviada a vários colegas de partido e publicada pela CNBC, que estava indeciso em relação ao seu próprio voto. “Embora a imprensa esteja cheia de especulações, não tomei uma decisão final sobre como vou votar e pretendo ouvir os argumentos legais quando forem apresentados ao Senado”, disse McConnell.
Já o “New York Times” escreveu que o ainda líder dos republicanos na câmara alta do Congresso já se mostrou por várias vezes, ainda que em privado, “satisfeito” com a demanda democrata pela remoção de Trump já que, na sua opinião, as atitudes do Presidente “são passíveis de justificar um processo de destituição”.
Para que a destituição de Trump seja aprovada no Senado há 17 senadores republicanos que teriam de passar para o lado dos democratas, já que uma condenação prevê o voto de dois terços do total dos senadores. Para que Trump, depois de condenado, possa vir a ser impedido de concorrer a cargos públicos é posteriormente necessário um outro voto, mas para aprovar essa adenda apenas é preciso uma maioria simples - algo que os democratas conseguem sozinhos.