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Eleições EUA 2020. Warren torna-se alvo preferencial de ataques e Biden perde protagonismo

Eleições EUA 2020. Warren torna-se alvo preferencial de ataques e Biden perde protagonismo
Win McNamee/Getty Images

O debate democrata desta terça-feira no estado norte-americano do Ohio foi o primeiro para o qual o ex-vice-Presidente não partiu com uma vantagem clara, tendo agora a senadora do Massachusetts a ultrapassá-lo nalgumas sondagens. Falou-se do ‘impeachment’ do atual Presidente Trump e voltou-se à discussão sobre planos de saúde para os americanos

Eleições EUA 2020. Warren torna-se alvo preferencial de ataques e Biden perde protagonismo

Hélder Gomes

Jornalista

Foi o maior debate televisivo para umas eleições primárias na história dos EUA, ao juntar 12 candidatos num só palco. Foi o primeiro debate para o qual o ex-vice-Presidente Joe Biden não partiu com uma vantagem clara, tendo agora a senadora do Massachusetts Elizabeth Warren a ultrapassá-lo nalgumas sondagens. E foi também o primeiro debate desde que os democratas no Congresso lançaram uma investigação de ‘impeachment’ a Donald Trump, o Presidente republicano que há muito formalizou a sua recandidatura ao cargo para as eleições de 2020 e que um dos 12 democratas defrontará.

Na quarta grande noite de debates democratas, uma maratona que começou em junho, Warren foi esta terça-feira o alvo preferencial dos ataques dos candidatos com menos hipóteses de conseguirem a nomeação.

A senadora do Minnesota Amy Klobuchar e Pete Buttigieg, presidente da Câmara de South Bend, Indiana, acusaram Warren de ser evasiva no seu plano de assistência médica universal, dizendo que esta opção significaria impostos mais altos. Mantendo-se sempre calma, Warren retorquiu que os críticos do seu imposto sobre a riqueza estavam a tentar proteger os bilionários. “Ninguém neste palco quer proteger bilionários. As suas ideias não são as únicas ideias”, sublinhou Klobuchar. Buttigieg criticou Warren por não divulgar um plano de saúde detalhado com uma explicação da forma como iria financiá-lo.

‘Medicare for All’ ou ‘Medicare for All Who Want It’?

“Deixei aqui claro quais são os meus princípios: os custos subirão para os ricos e para as grandes empresas e baixarão para as famílias trabalhadoras da classe média”, sintetizou Warren num debate em que a proposta de Medicare for All voltou a assumir protagonismo. O senador do Vermont Bernie Sanders, que apoiou um projeto de lei no Senado para a criação de um plano universal de saúde, afirmou ser “apropriado reconhecer que os impostos subiriam” com esta proposta.

Buttigieg sugeriu uma adenda: “Medicare for All Who Want It”, isto é, “Medicare para todos os que o quiserem”. Warren troçou da proposta: “Sempre que alguém ouve ‘Medicare for All Who Want It’, percebe que o que isso verdadeiramente significa é ‘Medicare for All Who Can Afford It’ [‘Medicare para todos os que podem pagá-lo’].”

Booker recentra foco na derrota de Trump

O mayor de South Bend também se envolveu numa troca de palavras com o ex-congressista do Texas Beto O’Rourke. Buttigieg classificou como irrealista a proposta de O’Rourke de reaquisições obrigatórias pelo Governo de armas de assalto. O texano respondeu que estava na hora de deixar de ouvir consultores, grupos de opinião e sondagens.

O senador de New Jersey Cory Booker tentou distanciar-se das contendas e advertiu contra os ataques entre os candidatos à nomeação democrata, apelando a que se mantivessem focados no objetivo de derrotar Trump.

“O Presidente mais corrupto da história”

Sobre o ‘impeachment’, cuja investigação foi precipitada pela pressão que Trump fez para a Ucrânia investigar alegações contra Biden e o filho Hunter, Warren afirmou: “O ‘impeachment’ é a forma de dizermos que este homem [Trump] não pode violar a lei repetidamente sem consequências.”

Biden referiu que Trump tentou prejudicá-lo por não querer defrontá-lo nas eleições do próximo ano. Biden e Sanders concordaram que Trump é “o Presidente mais corrupto da história” e que o Congresso estaria a ser negligente se não seguisse com a investigação de ‘impeachment’.

O debate desta terça-feira no Ohio marcou o regresso de Sanders à vida pública depois de há duas semanas ter sofrido um ataque cardíaco e ter ficado a recuperar em casa. O próximo debate está agendado para 20 de novembro no estado da Geórgia.

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