Ricardo Serrão Santos pode ser um nome desconhecido do País, mas ficou bem conhecido entre os eurodeputados portugueses. Este professor universitário açoriano, independente eleito nas listas do PS nas eleições europeias de 2014, foi escolhido em maio como o melhor eurodeputado português, numa eleição feita entre os restantes representantes portugueses no Parlamento Europeu.
Apesar disso, na elaboração das listas para as europeias de maio passado, o PS deixou-o de fora. O bom desempenho em Bruxelas não foi suficiente para voltar a ser indicado para a lista pelo PS-Açores. Agora, volta à ribalta, pela mão de António Costa. Será ministro do Mar, substituindo Ana Paula Vitorino.
Numa votação promovida no final do anterior mandato europeu por um consórcio de correspondentes portugueses em Bruxelas, composto pelo Expresso, SIC, Antena1, Lusa, “Público”, RTP e TVI, o eurodeputado independente eleito nas listas do PS foi o que mais se distinguiu ao olhos dos colegas das outras forças políticas. De Serrão Santos, os outros eurodeputados portugueses disseram que é “trabalhador”, “ajuda” os colegas, “deputado brilhante, com grande conhecimento técnico” na área das pescas e alterações climáticas, “fundamental na melhoria dos textos legislativos” e um “bom representante dos Açores”. Dentro da delegação do PS também lhe teceram elogios, mas para este ranking contaram só as opiniões dos restantes deputados.
No entanto, ser conceituado de pouco serviu para continuar no Parlamento Europeu. “Tenho pena de não continuar”, disse Serrão Santos ao consórcio de correspondentes portugueses em Bruxelas. “Acho que me empenhei muito, que atingi alguns patamares”. E atingiu. Os socialistas e democratas europeus escolheram-no para coordenador na comissão das Pescas, um cargo que é atribuído pelos colegas de outras nacionalidades. E foi membro efetivo numa segunda comissão, a da Agricultura. Tudo em apenas um mandato. Em 2019, foi ainda nomeado para melhor eurodeputado, nos MEPAwards.
Na hora do adeus a Bruxelas, Serrão Santos garantiu não guardar mágoa, e anunciou o regresso à Universidade dos Açores, onde foi pró-reitor e é professor do Departamento de Oceanografia e Pescas. O académico é doutorado em Biologia e Ecologia Animal pela Universidade dos Açores e pela Universidade de Liverpool. Especializou-se no estudo da conservação dos habitats marinhos e biodiversidade.
O regresso à academia foi por pouco tempo. Na semana que vem toma posse como ministro do XXII Governo Constitucional.
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