Política

Estado de emergência divide centrais sindicais: UGT a favor, CGTP contra

Estado de emergência divide centrais sindicais: UGT a favor, CGTP contra
Lucília Monteiro

À saída da audiência em Belém, Carlos Silva apelou a uma maior "articulação" das medidas por parte do Governo, lamentando que os parceiros sociais só tenham tomado conhecimento em cima da hora do regresso ao teletrabalho. Em relação ao Estado de Emergência, o líder da UGT disse que não se opõe desde "que não feche a economia". Já a secretária-geral da CGTP voltou a manifestar-se contra a "restrição de liberdades", nomeadamente a sindical

Estado de emergência divide centrais sindicais: UGT a favor, CGTP contra

Liliana Coelho

Jornalista

O líder da UGT, Carlos Silva, garante que não se opõe à declaração de um novo Estado de Emergência desde que não destrua a economia e prejudique os trabalhadores, à semelhança do que aconteceu em março. Já a CGTP, também hoje recebida por Marcelo Rebelo de Sousa, colocou-se do outro lado da barricada.

"A nossa posição é favorável ao estado de emergência desde que não feche a economia e não prejudique os trabalhadores deste país, nomeadamente em situação idêntica ao que aconteceu com o lay-off. Não queremos mais cortes salariais", disse Carlos Silva em declarações à saída da audiência em Belém.

Já a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, manifestou-se contra o novo recurso ao instrumento legal, que suspende temporariamente algumas liberdades, nomeadamente a sindical, e apelou ao reforço do SNS e a outras respostas sociais no âmbito do combate à pandemia.

"Naturalmente teremos que ver o que contém o decreto que será apresentado à AR pelo Presidente da República. De qualquer modo, a CGTP sempre foi desfavorável restrições de liberdade. Aliás, o estado de emergência de março restringiu um conjunto de liberdades, nomeadamente sindicais, e nós nunca estivemos de acordo que fosse necessário", declarou Isabel Camarinha.

De acordo com a secretária-geral da CGTP, o combate ao novo coronavírus precisa de medidas "proporcionais", "apenas as necessárias", e ser também acompanhadas de respostas aos problemas económicos e sociais, dando mais "condições aos trabalhadores".

Já para o líder da UGT, é importante ainda que o Governo tenha em atenção a "uniformização de critérios", criticando a autorização de eventos, como Grande Prémio de Portugal de Fórmula, que deram um mau exemplo para o resto da população. "Milhões de portugueses olham para este exemplo. Não podem ir aos hospitais, não podem visitar os mais idosos nos lares da terceira idade, não podem participar nos funerais ... Uns podem, 27.500, e os outros não?"

Carlos Silva lamentou ainda que os parceiros sociais só tenham tomado conhecimento em cima da hora do regresso ao teletrabalho, depois de dias antes ter havido uma reunião de concertação social. E pediu o fim das "medidas em cima do joelho", apelando a uma maior articulação por parte do Executivo. "O apelo que lançamos também aqui ao Presidente da República é a necessidade de toda a gente se articular da melhor maneira possível para responder à pandemia", atirou.

Isabel Camarinha defendeu, por sua vez, que as reivindicações dos trabalhadores para se ultrapassar a pandemia passam, sobretudo, pela "prevenção e proteção da saúde de todos" a começar nos locais de trabalho e nos transportes. "Exige-se também o reforço muito substancial do SNS, dos cuidados de saúde primários que não tem acontecido. E na proposta do OE 2021 não estão totalmente considerados como deviam estar", observou.

Por último, a secretária-geral da CGTP alertou para o "aumento dos despedimentos coletivos" em outubro e apelou à necessidade de uma legislação laboral que proteja mais os trabalhadores. "As propostas que o Governo tem em cima da mesa mais gerais não dão a resposta necessária para a mudança de rumo que precisavámos de ter", conclui Isabel Camarinha, apontando ainda para a necessidade do aumento dos salários com vista ao aumento do consumo e à recuperação económica.

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