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Governo vai preparar legislação específica para poder limitar as liberdades durante as pandemias, mas só depois da atual pandemia

Governo vai preparar legislação específica para poder limitar as liberdades durante as pandemias, mas só depois da atual pandemia
TIAGO MIRANDA

António Costa admitiu essa possibilidade quando saiu da reunião com Marcelo Rebelo de Sousa, mas não quer legislar a quente. A Provedoria de Justiça está a estudar o assunto e o primeiro-ministro admite basear-se nessas conclusões para um quadro legal futuro. Miguel Prata Roque, socialista e ex-secretário de Estado da Presidência no anterior Governo, diz-se em "choque" com a forma como os direitos estão a ser comprimidos e não compreende como é que nenhum deputado apresentou legislação específica para pandemias nos últimos nove meses

Governo vai preparar legislação específica para poder limitar as liberdades durante as pandemias, mas só depois da atual pandemia

Vítor Matos

Jornalista

Nem situação de calamidade, nem estado de emergência. É preciso criar um quadro legislativo específico para atuar em urgências sanitárias como a atual pandemia, admitiu o primeiro-ministro esta segunda-feira quando saiu da reunião com o Presidente da República, no Palácio de Belém. O mesmo diz ao Expresso Miguel Prata Roque, ex-secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, mas este militante socialista diz-se "chocado" com a forma como o Governo tem restringido os direitos e critica o facto de nem Governo nem Assembleia da República terem avançado com legislação que considera adequada.

Entretanto, a Provedoria de Justiça está a estudar a resposta dos responsáveis políticos a esta crise, à luz do Estado de direito, e essas conclusões podem vir a servir de bússola ao Executivo. A situação de calamidade não chega para limitar a circulação entre concelhos, dizem alguns constitucionalistas, e o próprio Presidente da República manifestou dúvidas sobre a cobertura legal dessa decisão. Se a Lei de Bases de Proteção Civil não chega para dar cobertura a certas decisões, então o estado de emergência pode ser uma exceção demasiado exagerada para limitar direitos, liberdades e garantias em função da pandemia. Qual o meio termo?

Durante este debate, porém, a posição predominante no Governo, veiculada sobretudo por Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, era a de que o poder executivo dispunha dos instrumentos legais necessários para dar cobertura a uma série de decisões que ajudassem a limitar a propagação das infeções. Até que António Costa foi apresentar a Marcelo Rebelo de Sousa as razões para um novo estado de emergência (desta vez mais light do que em março) e admitiu nova legislação para enquadrar estas situações.

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