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Hoje é uma super quinta-feira no Reino Unido. Há dados económicos e decisões em catadupa ao meio-dia
O Banco de Inglaterra vai divulgar hoje uma avalancha de dados, um evento nunca antes promovido por um banco central de peso. As actualizações económicas trimestrais, as actas da última reunião do BoE e a sua decisão sobre as taxas de juro serão os dados divulgados neste dia 6 de Agosto, o que o torna na já chamada "super quinta-feira".
Hoje, 6 de Agosto, o Banco de Inglaterra (BoE) vai publicar as suas actualizações económicas trimestrais – conhecidas como Relatório da Inflação –, as actas da sua última reunião (com as orientações de voto de cada um dos membros da comissão de política monetária) e a decisão sobre os juros.
Habitualmente, conforme relata o The Telegraph, cada um destes relatórios é publicado em dias diferentes, para que possam ser mais fáceis de analisar e digerir. Mas desta vez o banco central britânico decidiu divulgar todos de uma vez, naquele que é um grande acontecimento para os economistas e para os mercados financeiros.
"Será um dia duro" devido à "enorme quantidade de informação" e à "sobrecarga de dados para processar", comentou à Bloomberg um economista do Scotiabank, Alan Clarke.
Geoffrey Yu, estratega do UBS Investment Bank, concorda. Em declarações ao Financial Times, sublinha que o Banco de Inglaterra será o primeiro grande banco central a conjugar a divulgação de todos estes dados e que será interessante ver se os dados estarão bem detalhados.
Conforme sublinha a Bloomberg, se bem que as estimativas do banco central sejam analisadas cuidadosamente em cada actualização trimestral, desta vez adquirem uma importância maior, uma vez que o governador do BoE, Mark Carney (na foto), já sinalizou que a era dos juros em mínimos históricos [estão congelados há três anos no Reino Unido] está a terminar.
E é precisamente com o Relatório da Inflação e com as actas da última reunião do BoE que o dia de dados económicos vai começar a aquecer no Reino Unido.
Com a divulgação das actas, às 12h locais [mesma hora em Lisboa] será possível perceber a intenção de voto de cada um dos nove membros da comissão de política monetária do banco central.
Será também a essa hora que se saberá quem está contra e a favor de uma subida das taxas de juro. Num contexto de valorização da libra, muitos analistas prevêem que o Banco de Inglaterra seja o segundo grande banco central a subir juros – apontam, em média, para o início do próximo ano como a altura da tomada efectiva dessa decisão – , logo após os Estados Unidos (as projecções médias do consenso de mercado estão com os holofotes virados para a reunião de Setembro da Reserva Federal norte-americana, estimando-se que esse poderá ser o ‘timing’ escolhido para a Fed começar a subir os juros directores, em mínimos históricos [entre 0% e 0,25%] desde 2008).
Os analistas sondados pelo The Telegraph estão convictos de que os dois fervorosos defensores de uma subida dos juros – Martin Weale e Ian McCafferty, que já votaram em cinco ocasiões a favor de uma subida da taxa de referência, de 0,5% para 0,7% – manterão as suas posições e o JPMorgan acrescenta mais um membro da comissão de política monetária, David Miles, como podendo estar do mesmo lado. Mas Robert Wood, do Bank of America Merrill Lynch, não dá grande importância a essa possibilidade, já que Miles será substituído da comissão, no final deste mês, por Gertjan Vlieghe.
Também às 12h, o banco central irá divulgar as estimativas trimestrais para a economia britânica, naquele que é conhecido como o Relatório da Inflação. Por esta hora, o BoE sinalizará, assim, até que ponto é que crê ser viável a sua meta de 2% para a inflação.
Às 12h45 o governador do banco central dará uma conferência para comentar todos estes dados. Em 45 minutos, haverá muito para analisar, comentar, discutir e questionar.
Uma vez que Mark Carney condensará a divulgação de todos dados no mesmo dia, de modo a reduzir a especulação entre publicações, os investidores disporão de toda a informação ao mesmo tempo. Isso poderá provocar maiores flutuações nos mercados pelas 12h, mas também fará diminuir a volatilidade no longo prazo, comentou à Bloomberg um economista do Nomura International, Philip Rush.
Está tudo a postos. A contagem decrescente já começou.