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Novo governo em Espanha: tudo é possível e improvável ao mesmo tempo

Passou mais de um mês desde as eleições legislativas e muito pouco se avançou em direcção ao novo governo. Rajoy e Sánchez jogam o tudo ou nada, debaixo de olho dos novos e poderosos protagonistas Iglesias e Rivera.

Reuters
24 de Janeiro de 2016 às 19:33
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Portugal precisou de quase dois meses e muitas negociações para ter um primeiro-ministro no seguimento das eleições legislativas de 4 de Outubro. Em Espanha, já passou mais de um mês e não se perspectiva a formação de um governo.

Para já, todos os cenários são possíveis, embora quase todos muito improváveis. Tanto Mariano Rajoy como Pedro Sánchez alimentam a ambição de serem primeiros-ministros, ao mesmo tempo que os líderes dos partidos que emergiram nestas eleições  – Podemos e Cidadãos – fazem uso do poder que os votos dos espanhóis lhe deram.

Conforme notava este sábado o El Mundo, os líderes dos dois maiores partidos, antes habituados a uma tradição bipartidária partilhavam o mesmo dilema: "Ou césar ou nada. O Governo ou nada. Cada um à sua maneira, ambos permanecem na trincheira desde o 20 de Dezembro. Rajoy com a agenda vazia e Sánchez fechado no seu castelo repelindo os ataques dos seus críticos", notava Lucía Mendez.

Na sexta-feira, o ainda líder do governo espanhol tornava pública a sua recusa em formar governo, considerando não dispor ainda de condições, mas sem contudo rejeitar vir a fazê-lo no futuro. "Mantenho a minha candidatura a presidente do Governo, mas ainda não tenho os apoios" para concretizar esse objectivo, disse Mariano Rajoy, após uma reunião com o Rei de Espanha na qual recusou um convite para se apresentar a votação de investidura, o primeiro passo para a formação de um novo governo. 

Estas declarações suscitaram uma reacção crítica do PSOE: "A decisão de declinar a solicitação do rei para apresentar a sua investidura e, ao mesmo tempo, anunciar que não renuncia é inaceitável e só pode ser compreendida à luz da complicada situação judicial que enfrenta o seu partido, investigado estes dias por corrupção", lê-se num comunicado dos socialistas, que não perdem uma oportunidade de lembrar os casos de corrupção que afectaram o PP.

No dia seguinte, sábado, foi a vez de se reunirem Pedro Sánchez e Albert Rivera. Mas nada ficou mais claro, pelo contrário. À saída, Rivera afirmou não tencionar votar favoravelmente à investidura de Pedro Sánchez "em nenhum caso", dando-lhe o mesmo tratamento que reserva a Rajoy. Na melhor das hipóteses admite abster-se, e isto como moeda de troca para um programa de reformas com o qual concorde.

O Cidadãos parece apostar numa solução governativa sem nenhum dos dois actuais líderes do PP e PSOE e embora o próprio Rivera já tenha dito que não tenciona propor-se para liderar um governo o partido não afastou essa hipótese liminarmente, escreve o El Pais.

Finalmente, o Podemos, que ficou a dois pontos percentuais do PSOE, não pára de pressionar os socialistas a formar um governo progressista que reverta as medidas de austeridade, um pouco à semelhança do que foi acordado em Portugal. Pablo Iglesias propôs a formação de um governo, do qual seria vice-presidente, e que contaria ainda com os ex-comunistas da Esquerda Unida.

Mas este cenário esbarra com a grande questão política em Espanha que se chama Catalunha. O Podemos bate-se por um referendo na região que permita aos catalães decidirem se querem a independência, algo que o PSOE rejeita liminarmente. Iglesias argumenta que o seu partido defende o referendo mas preferia que a Catalunha continuasse em Espanha. E lembra um facto relevante que não deixa de suscitar alguma perplexidade: "Fomos nós que ganhámos as eleições na Catalunha".

Os próximos dias serão marcados por novas reuniões, seguidas de declarações, havendo um período máximo de dois meses para encontrar um primeiro-ministro, prazo que começa a contar a partir do momento em que haja uma tentativa de investidura rejeitada pelo Congresso. Se no final deste período de dois meses não houver Governo, serão convocadas novas eleições.

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